A greve dos servidores municipais de Florianópolis começou nesta quinta-feira (23) e já provoca impacto, ainda que parcial, em áreas essenciais da cidade. Não é novidade. É um capítulo recorrente de uma história que se repete ano após ano.
Na educação, quatro escolas básicas e 12 NEIMs ficaram sem atendimento, com adesão de 32,3% nas escolas e 36,1% na educação infantil; na saúde, 16,08% dos profissionais cruzaram os braços, com maior impacto em unidades como Novo Continente, Jurerê, Trindade e Rio Tavares, enquanto as UPAs seguem com baixa adesão. Não é uma greve total, mas suficiente para pressionar uma rede que já opera no limite.
Há um dado que atravessa diferentes gestões: as contas do município vivem pressionadas. Se fosse um cartão de crédito, Florianópolis estaria há anos pagando apenas o valor mínimo da fatura. A dívida não diminui, apenas é rolada. E esse não é um problema exclusivo da atual gestão de Topázio Neto. Prefeitos como Gean Loureiro, Cesar Souza Junior e Dário Berger também enfrentaram greves e uma equação fiscal que não fecha.
De um lado, o Sintrasem fala em falta de proposta concreta e sobrecarga. De outro, a Prefeitura de Florianópolis destaca reposição do INPC, contratações e concursos em andamento.
Ambos os lados operam dentro de uma lógica legítima. O problema é quando o impasse vira rotina. A greve deixa de ser pressão e passa a ser protocolo.
Florianópolis construiu uma rede pública que entrega qualidade. Saúde e educação funcionam, muitas vezes em nível comparável ao setor privado. Isso não é detalhe, é ativo. E ativos precisam ser sustentados.
Se os profissionais são reconhecidos pela excelência, é razoável que busquem melhores condições. Ao mesmo tempo, é indispensável que essa equação não inviabilize o sistema. O desafio é romper o ciclo que se repete e encontrar um ponto de equilíbrio.
Aliás, quem faz de conta que o assunto não é com ela é a Câmara de Vereadores. O Legislativo, que deveria fiscalizar e aprovar as contas, mantém-se em um silêncio constrangedor. O mesmo vale para o Tribunal de Contas de Santa Catarina, que poderia assumir um papel mais proativo. Colocar todos à mesa de negociação é o único caminho. O resto é discurso inflamado, ainda mais em ano eleitoral.
-23 de abril de 2026
