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segunda-feira - 6 de abril de 2026

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06/04/2026

Reunião pode adiar segundo turno e ampliar crise eleitoral na UFSC

A eleição para a reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina entra em um novo capítulo nesta segunda-feira (6/4). A comissão eleitoral se reúne nesta tarde para definir como será resolvido o impasse envolvendo a urna discente de Blumenau — episódio que travou a homologação oficial do primeiro turno e pode levar à remarcação da data do segundo turno, inicialmente prevista para o dia 14.

O problema teve origem em uma lista incorreta de eleitores, que impediu estudantes do campus de Blumenau de votarem. Diante da inconsistência, a comissão optou por congelar a urna, divulgar o resultado parcial — suficiente para definir o segundo turno — e postergar a validação definitiva do processo.

Na prática, o segundo turno já está politicamente definido — como este portal antecipou ainda na sexta-feira —, mas ainda não foi formalmente homologado.

O cenário coloca frente a frente a oposição da chapa 41 – Mudar para Transformar, de Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior e Felipa Rafaela Amadigi, que liderou com 38,54%, e a chapa da situação 52 – UFSC Unida, do atual reitor Irineu Manoel de Souza e Rodrigo Moretti Pires, com 32%. Fora da disputa, mas decisiva, a chapa 63 – Conhecer é Transformar, de João Martins e Luana Heinen, que somou 29,46%, passa a ser o principal vetor político do segundo turno — com tendência de aproximação ao campo de oposição.

A reunião desta tarde deve definir dois pontos centrais: quando será realizada a votação pendente dos estudantes de Blumenau, ainda referente ao primeiro turno, e, a partir disso, qual será a nova data do segundo turno.

Até lá, o processo permanece em uma espécie de limbo institucional.

Nos bastidores, o movimento já começou — articulações, conversas e tentativas de construção de apoio estão em curso. Mas a campanha, no sentido pleno, segue contida. Sem a homologação oficial do primeiro turno, qualquer avanço mais agressivo é tratado com cautela.

Esse ambiente de suspensão reforça um quadro que já vinha se desenhando.

Diferente de eleições anteriores, o processo deste ano ganhou contornos de disputa intensa, com acusações, rupturas e um nível de exposição pública raro para o ambiente universitário. O componente político-partidário deixou de ser periférico e passou a estruturar a eleição.

A liderança de Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior não é casual — nem homogênea. Sua candidatura capturou um sentimento difuso de insatisfação dentro da universidade e o traduziu em votos distribuídos entre os três segmentos. A base da chapa 41 é transversal: reúne servidores técnicos descontentes e fora da órbita sindical, estudantes sem alinhamento político claro e, principalmente, professores críticos à condução recente da reitoria. Mais do que um projeto único, Amir se apresenta como ponto de convergência desse desgaste.

Na sequência, o atual reitor Irineu Manoel de Souza avança ao segundo turno sustentado por uma base mais orgânica e estruturada, especialmente entre servidores técnicos alinhados à atual direção sindical. Ao mesmo tempo, carrega o maior nível de desgaste do processo, acumulado ao longo da gestão e amplificado durante a campanha.

Seu candidato a vice, Rodrigo Moretti, também foi atingido pelo ambiente de confronto, após a circulação de um vídeo do ex-deputado Bruno Souza, que o acusa de “traição” e o associa diretamente à atual gestão em tom ideológico.

Por fim, a chapa 63 – Conhecer é Transformar, de João Martins e Luana Heinen, que alcançou 29,46%, emerge como a peça mais estratégica do tabuleiro neste segundo turno. Sua força nasce de uma ruptura interna: ambos integravam o núcleo da gestão até outubro do ano passado, ao lado da então vice-reitora Joana dos Passos. O rompimento coletivo — com a saída de pró-reitores e a posterior saída de Joana, que denunciou “violência política de gênero” — ajudou a consolidar uma candidatura de oposição com base relevante, especialmente entre estudantes e setores organizados da universidade.

A candidatura dos chamados dissidentes carregou, ao longo da campanha, uma contradição inevitável: foi cobrada por ter permanecido por mais de três anos na administração que agora critica. Ainda assim, consolidou base relevante e chega ao segundo turno como fator decisivo.

É justamente essa origem que tende a orientar o desfecho da eleição.

Embora não exista transferência automática de votos, a natureza dissidente da chapa 63 indica convergência com a candidatura de Amir/Felipa, reforçando o campo de oposição e elevando o peso político da disputa final.

O que está em jogo agora vai além da contagem de votos.

A reunião desta tarde pode redefinir o calendário, mas não altera o cenário central: a UFSC chega ao segundo turno fragmentada, tensionada e sem maioria clara.

Na UFSC, a eleição já saiu das urnas — e entrou definitivamente no campo das articulações.

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