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Redação

quarta-feira - 27 de maio de 2026

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27/05/2026

O RANKING NÃO ANDA NA RUA

Florianópolis apareceu novamente com o carimbo de capital mais segura do Brasil, agora no Atlas da Violência 2026. O ranking mede homicídios e mostra que Santa Catarina segue abaixo da média nacional em um país que registrou 42.590 assassinatos em 2024, com taxa de 20,1 mortes para cada 100 mil habitantes. Nesse recorte, a capital catarinense vai bem. O problema começa quando um indicador correto vira propaganda grande demais.

Ser segura no mapa dos homicídios não significa ser segura na rotina. A cidade que aparece bem no Atlas é a mesma em que moradores atravessam o Centro em alerta, comerciantes convivem com furtos recorrentes, mulheres seguem expostas à violência dentro de casa e turistas descobrem que evento cheio também atrai crime oportunista. Ranking nenhum substitui a sensação de quem segura a bolsa com força na Praça XV ou de quem fecha a loja sem saber se os fios ainda estarão lá no dia seguinte.

Os números desmontam a fantasia com rapidez. Florianópolis liderou os registros de furtos e roubos em Santa Catarina, com 15,6 mil ocorrências em 2024 e 14,9 mil em 2025. Proporcionalmente, foram 2.538 casos para cada 100 mil habitantes, mais que o dobro de Joinville. O Centro concentrou 5.014 ocorrências em 2025, com a Praça XV e a Avenida Paulo Fontes entre os pontos mais críticos. No Carnaval de 2024, a média diária de furtos saiu do comum e virou retrato de vulnerabilidade, com 884 casos em um único sábado.

Há outra violência que não costuma aparecer na paisagem turística, mas atravessa casas, famílias e boletins de ocorrência. Santa Catarina registrou 335 feminicídios entre 2020 e 2024. Em 2026, até 20 de abril, já eram 20 casos, alta de 66,67% em relação ao mesmo período do ano anterior. A maioria das vítimas não tinha medida protetiva. Parte expressiva dos crimes aconteceu em relações íntimas.

A boa posição no Atlas deve ser lida pelo que ela mede, não pelo que ela permite vender. Florianópolis pode ter menos homicídios e, ainda assim, falhar em segurança pública, proteção às mulheres, prevenção de furtos, iluminação, ocupação urbana, acolhimento social, fiscalização e resposta policial inteligente. Segurança é circular, trabalhar, voltar para casa, denunciar e viver sem transformar o medo em hábito.

O ranking mostra uma parte da cidade. A rua mostra o resto. E é nesse resto que o poder público precisa trabalhar.

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