O susto veio na prateleira. O leite, que sempre foi item automático da compra, virou conta, comparação de preço e freio na mão. Em Florianópolis, o longa vida subiu 17,50% em abril. O tomate disparou 29,56%. A batata inglesa avançou 8,46%. O peito de frango, 7,92%. A cebola, 5,99%. Quando a inflação entra assim no carrinho, ela deixa de ser indicador e vira aperto.
Os dados da Udesc mostram que o custo de vida na capital subiu 0,92% em abril, com alimentação e bebidas puxando o índice para cima em 2,29%. No ano, Florianópolis já acumula inflação de 2,72%. Em 12 meses, 4,83%. O peso maior está justamente no básico, onde não há muito o que cortar sem mexer na rotina. É mercado, feira, padaria e açougue. E quando isso encarece, a cidade fica mais cara para quem já vinha se equilibrando no limite.
No caso do leite, o problema começa antes da gôndola. No campo, o preço pago ao produtor subiu 18% no primeiro trimestre e 21% entre janeiro e abril, segundo Cepea e Embrapa. A captação caiu 11% nos três primeiros meses do ano, refletindo a entressafra e os investimentos menores após uma sequência prolongada de queda nos preços. No fim de 2025, o produtor recebia R$ 1,98 por litro. Em abril, a média nacional foi para R$ 2,40.
Florianópolis gosta de se vender como cidade de qualidade de vida. Mas qualidade de vida também passa por conseguir encher a sacola sem transformar cada ida ao mercado em exercício de contenção de danos.
Quando o leite assusta, o recado é simples: o custo de viver bem por aqui está ficando alto demais até no que deveria ser básico.
-8 de maio de 2026
