A Assembleia Legislativa de Santa Catarina mantém aberta até o fim de julho, na Galeria Ernesto Meyer Filho, a IV Mostra de Cartazes Antonieta de Barros, exposição que marca os 125 anos de nascimento da educadora, escritora, jornalista e primeira mulher negra eleita deputada estadual no Brasil. A mostra reúne pinturas, cartazes produzidos por estudantes catarinenses no ciclo Escrevivências e uma fotografia restaurada pelo Centro de Memória da Alesc.
Antonieta é nome de túnel, auditório, rua, núcleo infantil e mural no Centro de Florianópolis. Além disso, é uma chave para entender a cidade que existia poucas décadas depois da abolição, a cidade que ainda negava espaços a mulheres negras e a cidade que precisou ser enfrentada por uma professora que acreditava na educação como direito.
O valor da exposição está justamente em tirar Antonieta do bronze e devolvê-la ao olhar dos jovens. Quando alunos de Içara falam em determinação e resistência, quando estudantes de Urubici lembram os caminhos pedregosos que ela atravessou e quando uma turma de São José projeta futuro a partir de gentileza e sonho, a memória deixa de ser arquivo e volta a trabalhar.
Florianópolis precisa que suas novas gerações saibam que a história local não foi feita apenas por governadores, obras, sobrenomes repetidos e fotografias oficiais. Também foi feita por uma mulher negra que escreveu na imprensa, assinou como Maria da Ilha, defendeu escolas, bolsas, concursos para o magistério, cultura e participação política quando quase tudo empurrava pessoas como ela para fora da sala de decisão.
Antonieta ocupou espaços em um tempo em que a cidade não estava preparada para vê-la ali. Ensinou, escreveu, disputou ideias e transformou a educação em instrumento de entrada para quem vivia do lado de fora. Em uma Florianópolis que ainda discute desigualdade, racismo, acesso à escola, permanência dos jovens e participação de mulheres negras nos espaços de poder, sua história não é passado distante. É espelho incômodo.
A homenagem na Alesc também celebrou os 22 anos do Programa Antonieta de Barros, criado para oferecer estágio a jovens em situação de vulnerabilidade social da Grande Florianópolis e responsável por abrir a primeira oportunidade profissional para cerca de 700 jovens, em sua maioria negros.
Uma exposição sobre Antonieta cumpre um papel simples e necessário: faz a cidade parar diante de uma de suas maiores figuras e lembrar que memória também educa. Não basta batizar espaços públicos com seu nome se a sua história não chega às salas de aula, às famílias, às juventudes e aos debates sobre a cidade que Florianópolis ainda quer ser.
-17 de julho de 2026
