As obras do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte começam nesta quinta-feira (16/07), em Florianópolis, com a chegada dos primeiros caminhões para o lançamento de rochas no espelho d’água entre o Trapiche da Beira-Mar Norte e a Casan. A etapa inicial será o enrocamento, que vai formar a base do futuro aterro. A previsão é de cerca de 300 metros cúbicos de material por dia, com bloqueios pontuais no bolsão em frente ao Koxixos para a manobra dos veículos.
Antes das pedras, será instalada uma cortina de contenção para evitar que espuma e resíduos se espalhem pela Baía Norte. Depois, virá a dragagem de areia do fundo do mar. É o começo físico de uma obra que Florianópolis discute há mais tempo do que muita gente mora na cidade.
A ideia de ampliar a Beira-Mar Norte para receber mais atividades esportivas, recreativas e náuticas já aparecia nos estudos do IPUF nos anos 1990, quando o planejamento urbano enxergava a orla como algo além de cartão-postal. A intenção era aproximar a cidade do mar, ampliar o uso público da área e organizar uma relação náutica que Florianópolis sempre teve na paisagem, mas nem sempre conseguiu transformar em estrutura.
Em abril de 2013, os primeiros estudos formais de viabilidade econômica chegaram ao município. Em 2015, a prefeitura lançou o Procedimento de Manifestação de Interesse para captar propostas técnicas da iniciativa privada. Em 2016, depois de tramitação na Câmara, consulta pública e análises urbanísticas, jurídicas, náuticas, econômicas e ambientais, a cidade parecia diante de uma obra pronta para sair do papel.
O projeto falava em parque, marina, áreas de lazer, esportes, transporte marítimo, integração com mobilidade, espaços de convivência, píeres, vagas públicas e privadas, sombra, vegetação, ciclovia e eventos. Parecia próximo. Não era.
O que veio depois foi a parte que Florianópolis conhece bem: estudo, licença, contestação, consulta, órgão ambiental, União, Ministério Público, prefeitura, Judiciário, nova rodada técnica e mais espera. Em fevereiro de 2022, o pedido de Licença Ambiental Prévia foi protocolado no IMA. Em 2023, a discussão sobre a cessão do espaço aquático avançou junto à Secretaria do Patrimônio da União. Em 2024, a autorização da SPU abriu caminho para a Licença Ambiental de Instalação, mas também iniciou a disputa sobre quem deveria licenciar a obra.
O MPF defendia a competência do Ibama. A prefeitura e o próprio Ibama sustentavam que o licenciamento cabia ao IMA. O entrave parou e voltou, subiu e desceu, passou por acordo de conciliação, novas exigências e licença definitiva em 2026.
Agora, a obra começa. O projeto prevê investimento privado de cerca de R$ 350 milhões, executado pela Construtora JL. A área concedida soma aproximadamente 440 mil metros quadrados, com cerca de 140 mil metros quadrados destinados ao parque urbano, dividido em três setores. A promessa é criar novos espaços públicos de lazer, convivência, esportes e eventos, além de uma marina capaz de fortalecer o turismo náutico e gerar mais de 2 mil empregos apenas na primeira etapa.
Florianópolis tem direito a celebrar quando um projeto antigo avança. Mas também tem o dever de cobrar execução limpa, controle ambiental, transparência, trânsito organizado, uso público real e respeito à paisagem. A Beira-Mar Norte é o quintal coletivo da cidade. É onde gente corre, pedala, caminha, pesca, passa, protesta, namora, espera o pôr do sol e mede o humor da capital.
Nesta quinta-feira, as pedras começam a entrar na Baía Norte. Depois de tantas idas e vindas, Florianópolis finalmente verá a obra sair do papel. O próximo passo, agora, é provar que uma grande intervenção urbana pode melhorar a relação da cidade com o mar, com a rua e com as pessoas que vivem aqui.
-16 de julho de 2026
