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terça-feira - 12 de maio de 2026

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12/05/2026

ORELHA NÃO PODE VIRAR SÓ LEMBRANÇA

Há histórias que a cidade não escolhe guardar. Elas ficam. Orelha ficou. Ficou no nome repetido com tristeza, nas imagens que revoltaram Santa Catarina e na sensação de que um cão comunitário da Praia Brava acabou virando símbolo de algo maior do que a própria vida que levava ali.

É por isso que a futura estátua em sua homenagem faz sentido. A iniciativa, impulsionada pelo deputado Mário Motta (PSD) e sustentada por apoio popular, ganha valor porque transforma uma comoção em presença permanente. O local já foi confirmado pela prefeitura, e a obra será instalada onde Orelha viveu. O valor, porém, não está no bronze nem no concreto. Está no que essa homenagem pode lembrar todos os dias para quem passar por ali.

Orelha não pode virar apenas mártir de rede social ou nome que volta à tona em datas de comoção. Se a cidade vai transformá-lo em símbolo, precisa fazer isso direito. O melhor uso da memória dele é o uso prático: ensinar criança a respeitar bicho, estimular adoção, reforçar que animal comunitário não é abandono com outro nome e lembrar que maus-tratos dizem menos sobre o animal e mais sobre o grau de brutalidade que uma sociedade tolera.

No fim, a homenagem só faz sentido se servir para alguma coisa além do luto. Orelha já mobilizou a cidade uma vez. Que agora consiga mobilizá-la para o lado certo: o do cuidado, da responsabilidade e da recusa em tratar violência contra animal como episódio menor.

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