Comercial

Redação

quarta-feira - 29 de abril de 2026

Comercial

Redação

29/04/2026

FLORIANÓPOLIS SABE ONDE O RISCO ESTÁ

Florianópolis não sofre com surpresa. Sofre com repetição. O novo mapeamento da plataforma Natureza ON mostra quase 54 hectares sujeitos a deslizamentos, área equivalente a cerca de 14 vezes o Parque da Luz, além de outros 28 hectares vulneráveis a inundações, alagamentos e enxurradas. Não é um susto provocado por uma chuva mais forte. É um passivo urbano e ambiental conhecido, espalhado pela cidade há décadas e ainda enfrentado com resposta curta. 

Mais da metade dessas áreas de encosta já está classificada como de risco muito alto. Outros 39% estão em nível alto e 5% em médio. José Mendes aparece como um dos pontos mais sensíveis para deslizamentos. João Paulo concentra áreas críticas ligadas à água.

Não falta diagnóstico. O risco já foi medido, localizado e classificado. A cidade sabe onde o morro pode ceder e onde a água vai cobrar espaço. Mesmo assim, continua operando em lógica de emergência, como se o problema começasse na chuva e terminasse quando ela passa. O que falta, mais uma vez, é transformar conhecimento acumulado em obra, contenção, prevenção e política urbana permanente.

Florianópolis ainda reage a cada episódio como se estivesse diante de uma exceção, quando o que existe é um padrão.

Especialistas apontam há anos medidas conhecidas, como lagoas pluviais, bacias de retenção, restauração de encostas, arborização urbana, jardins de chuva e parques lineares. É o básico de uma cidade que quer continuar crescendo sem multiplicar a própria vulnerabilidade.

A capital ainda preserva uma base ambiental relevante. Segundo o levantamento, 34% do território é de formação florestal e outros 32% são rios, lagos e oceano. A área urbanizada ocupa 22%. Justamente por ter essa paisagem, Florianópolis deveria estar mais preparada para usá-la como aliada da prevenção. Quando não faz isso, perde duas vezes: em segurança e em qualidade urbana.

A crítica é sobre prioridade. Área de risco que a cidade conhece há décadas e continua enfrentando sem resposta estrutural não é fatalidade. É escolha pública acumulada no tempo.

Você também pode gostar:

Edit Template

© 2025 Rafael Martini | Jornalismo Independente