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Redação

sábado - 25 de abril de 2026

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25/04/2026

O CENTRO PEDE MAIS QUE CÂMERAS

Florianópolis instalou seis totens com 24 câmeras de reconhecimento facial no Centro e, no papel, a medida responde à demanda de quem atravessa a região com a sensação de que qualquer distração pode custar caro. Não é paranoia. É rotina. Em 2025, o Centro somou 5.014 ocorrências de furtos e roubos, muito acima de Ingleses e Canasvieiras. No total, Florianópolis fechou o ano com 14,9 mil casos desse tipo, a maior marca de Santa Catarina. Quando se olha proporcionalmente, o retrato pesa ainda mais: foram 2.538 ocorrências por 100 mil habitantes, mais que o dobro de Joinville.

Nesse cenário, seria estranho criticar mais monitoramento. As câmeras ajudam a identificar suspeitos, localizar pessoas desaparecidas, cruzar informações, acelerar respostas e produzir algum efeito de inibição. Também ajudam a devolver ao cidadão a sensação de que existe algum olhar público sobre uma área que, por muito tempo, pareceu largada à própria sorte. O problema começa quando se vende essa resposta como se ela bastasse.

O Centro de Florianópolis sofre com um esvaziamento que favorece o crime. Fora do horário comercial, muitas ruas ficam desertas, com pouca moradia, iluminação insuficiente e quase nenhum motivo para permanência. Rua vazia costuma ser convite para o medo. Comerciantes relatam furtos repetidos de fios, arrombamentos e prejuízos que empurram negócios para fora da região. Câmera registra isso tudo, mas não corrige a origem do problema.

Segurança urbana é presença, iluminação, moradia, comércio funcionando e calçada ocupada. É o velho chavão dos olhos da rua. Lugar vivido tende a ser mais seguro do que lugar apenas monitorado.

As novas câmeras são um avanço. Mas avanço para quê? Para contar fluxo, mapear rostos e produzir relatórios, ou para ajudar a reconstruir um Centro que volte a ser ocupado por quem interessa? Se vierem acompanhadas de mais luz, mais moradia, mais atividade noturna, fiscalização, acolhimento social e permanência qualificada, podem ser parte de uma virada.

Sozinhas, viram só mais uma tentativa de vigiar uma cidade que continua sem resolver por que tanta gente deixou de confiar nela.

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