Florianópolis realiza nesta sexta-feira (24/07), às 16h, no Plenarinho da Câmara de Vereadores, um encontro em alusão ao Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. A programação gratuita terá palestra de Edenice Fraga sobre protagonismo, liderança e força da mulher negra.
Escritora, tenente-coronel da reserva da Polícia Militar e presidente do Grupo de Poetas Livres de Florianópolis, Edenice representa uma trajetória contemporânea de participação na cultura, na segurança pública e na vida da cidade.
Florianópolis tem em Antonieta de Barros sua mulher negra mais conhecida e justamente celebrada. Professora, jornalista e primeira deputada negra do Brasil, ela dá nome a espaços públicos, é tema de projetos de memória e passou a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Mas a história das mulheres negras na cidade não começa nem termina em Antonieta.
Pesquisas sobre a antiga Desterro recuperaram, por exemplo, a presença de quitandeiras negras no comércio e no abastecimento da cidade. Entre elas estava Maria Mina, que trabalhou no primeiro Mercado Público, comprou a própria alforria e participou de uma negociação para tentar garantir a liberdade de outro homem escravizado.
Outros nomes aparecem em registros municipais e documentos do século XIX, como Anna Mina, Josefa Caçange, Luiza Cabinda e Joanna Prates. No século XX, Mãe Malvina tornou-se uma referência da Umbanda em Florianópolis e da resistência das religiões de matriz africana.
São trajetórias diferentes, preservadas de formas diferentes e ainda pouco conhecidas por boa parte da população. O desafio não é substituir Antonieta nem diminuir o reconhecimento que ela conquistou. É impedir que uma personagem excepcional seja tratada como se estivesse sozinha.
O encontro desta sexta-feira pode ajudar a ampliar esse repertório. Reconhecer a presença das mulheres negras na história de Florianópolis exige pesquisa, educação, preservação de documentos e espaço para que novos nomes e experiências cheguem à memória pública.
Antonieta abriu uma porta importante. A cidade ainda pode descobrir quem passou por ela, quem veio antes e quem continua construindo Florianópolis agora.
-24 de julho de 2026
