A UFSC anunciou, por meio de nota oficial em seu site, na tarde desta quarta-feira (9/7), que fará uma representação formal ao Ministério Público para que seja apurada a denúncia de agressões físicas aos estudantes indígenas nas imediações do alojamento destinado a eles, dentro do campus central. Conforme antecipou esta coluna na edição de ontem, os ataques, físicos e verbais, teriam ocorrido entre os dias 6 e 7, à noite, por um grupo de mascarados, que teriam invadido o campus.
“Sistematicamente somos vítimas de racismo”, diz a estudante indígena Suzani Parintintin, que é acadêmica de Cinema”. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), os alunos teriam sido alvo de pedradas e golpes com taquaras, além de escutarem ofensas como “vagabundos” e “bando de índios”, expressões consideradas preconceituosas. A Secretaria de Segurança Institucional (SSI) identificou parte da ocorrência por meio da análise das imagens e anunciou uma série de medidas.
Além de encaminhar o caso para o MPSC, foram adotadas ações emergenciais como aumentar a vigilância no entorno do alojamento e autorizada a instalação de câmeras de segurança adicionais na proximidade do prédio onde vivem os indígenas, que fica no coração do campus. A dúvida que deverá ser esclarecida durante a apuração é se realmente foi um ato intencional de mascarados que invadiram a UFSC para cometer crimes de ódio contra os indígenas ou se alguma ocorrência pretérita, como, por exemplo, uma discussão entre um estudante e uma pessoa de fora, teria deflagrado o conflito. Independentemente da causa que será apurada, é imperioso que os culpados pelos atos de violência sejam identificados, responsabilizados e punidos.
A UFSC tem 187 estudantes indígenas, segundo a Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis. Em março de 2024, a universidade inaugurou o alojamento indígena, no coração do Campus Trindade. O espaço tem 12 quartos, quatro salas de estudos, cozinha e banheiros. O investimento foi de R$ 1,58 milhões.
Foto: Maria Eduarda Vieira/O Fatual