O Ministério Público de Santa Catarina acabou de anunciar que a Justiça iniciou a produção de provas sobre a morte da estudante Catarina Kasten, ocorrida em novembro do ano passado. Diante do trágico feminicídio, ocorrido em Florianópolis, é imperativo que os órgãos estaduais intensifiquem e aprimorem suas ações para prevenir e combater a violência contra as mulheres. O caso, que chocou a sociedade catarinense pela brutalidade e pela premeditação, expõe falhas críticas em nossa capacidade coletiva de proteger vidas e garantir segurança, especialmente em espaços públicos. A justiça segue seu curso, com a fase de produção de provas em andamento, mas a pergunta que ecoa é: o que pode e deve ser feito para que crimes assim não se repitam?
Em primeiro lugar, é fundamental que haja investimento maciço e permanente em políticas de prevenção primária, focadas em educação, desconstrução da cultura machista e identificação precoce de risco. Campanhas públicas eficazes, integradas às escolas e comunidades, devem trabalhar a mudança de comportamentos e a promoção do respeito, atingindo também os homens, principais agentes da violência. Ações pontuais não são suficientes; é necessário compromisso contínuo do Estado em desnaturalizar a agressão contra a mulher.
Paralelamente, os órgãos de segurança pública precisam de protocolos mais rigorosos e ágeis para situações de desaparecimento ou possível risco, como a que vitimou Catarina. A eficiência na resposta inicial pode ser a diferença entre a vida e a morte. Além disso, a iluminação, a vigilância e a presença policial qualificada em áreas de circulação comum, como trilhas e praias, precisam ser revistas e ampliadas, criando ambientes mais hostis à prática de crimes de emboscada.
A atuação integrada e célere entre Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário é outro pilar essencial. Embora o processo siga em sigilo e o acusado esteja preso, a sensação de impunidade que permeia muitos casos de violência doméstica e de gênero deve ser combatida com celeridade processual e aplicação efetiva das medidas protetivas. A sociedade precisa ver e acreditar que o sistema atua de forma coordenada e implacável para coibir e punir os agressores.
Portanto, a dor da perda de Catarina e de tantas outras, precisa ser transformada em política de Estado urgente e eficaz. Prevenir feminicídios exige mais do que reação; exige proatividade, recursos, capacitação constante e mudança profunda na forma como encaramos a segurança das mulheres. Que a memória de Catarina não seja apenas um caso judicial, mas o catalisador para um pacto em defesa da vida. A hora de agir, com cuidado e determinação, é agora.
Foto: Osni Pereira
