A Prefeitura de Florianópolis realizará dez oficinas comunitárias durante agosto para ouvir os moradores e atualizar o Plano de Mobilidade Urbana da capital.
A revisão é necessária porque a cidade de 2026 já não cabe no planejamento elaborado em 2015. A população cresceu, os bairros se expandiram, a integração com os municípios vizinhos aumentou e novas formas de deslocamento passaram a ocupar as ruas.
Os encontros tratarão de transporte coletivo, circulação de pedestres, acessibilidade, infraestrutura cicloviária, segurança viária, trânsito e integração entre os diferentes meios de transporte.
A primeira oficina será realizada na terça-feira, 4 de agosto, às 19h, na Escola Básica Municipal Virgílio dos Reis Várzea, em Canasvieiras. A participação é aberta e não exige inscrição prévia.
Abrir o debate é um bom sinal. Cada região enfrenta problemas próprios, e quem atravessa Florianópolis diariamente conhece gargalos que uma pesquisa ou uma planilha dificilmente conseguem mostrar sozinhas.
Antes das oficinas, a prefeitura realizou uma pesquisa sobre os deslocamentos de 600 moradores da capital e 400 residentes de municípios vizinhos. Os dados técnicos são importantes, mas precisam ser confrontados com a experiência de quem espera o ônibus, atravessa uma avenida, pedala sem continuidade ou perde parte do dia no congestionamento.
O morador também tem razões para desconfiar. Mobilidade é um dos assuntos mais estudados, prometidos e adiados de Florianópolis. Enquanto planos se acumulam, ônibus continuam presos no trânsito, ciclovias terminam de repente e trajetos curtos consomem tempo demais.
As oficinas não podem virar apenas uma coleção organizada de reclamações para ocupar a próxima apresentação pública. A prefeitura precisa explicar como as contribuições serão registradas, quais critérios definirão as prioridades e quando a população poderá conhecer a versão atualizada do plano.
Depois da escuta, será necessário apresentar cronograma, orçamento, responsáveis e formas de acompanhamento. Sem esses elementos, participação popular corre o risco de ser tratada como etapa burocrática, e não como parte da decisão.
Florianópolis precisa revisar seu plano. Precisa ainda mais recuperar a confiança de que planejamento pode virar execução.
Ouvir a cidade é o primeiro passo. Fazer com que ela consiga se mover continua sendo o destino.
-4 de agosto de 2026
