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Redação

terça-feira - 25 de agosto de 2026

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25/08/2026

O PREÇO DA OBRA

Em Florianópolis, basta fechar uma faixa para descobrir que ela nunca fecha sozinha. Fecha junto alguns minutos do almoço, o horário de buscar alguém, o compromisso que começa sem quem ainda está no carro.

Quem saiu do Centro em direção ao Norte da Ilha no sábado (22) teve uma demonstração prática. A SC-401 sofreu restrições no João Paulo para o corte de árvores de grande porte. Pela manhã, uma faixa ficou bloqueada. Das 12h às 19h, sobrava apenas uma das três para o trânsito no sentido centro-bairro. A operação está prevista novamente para o próximo sábado (29/08).

O transtorno chega em um momento em que a região já convive com um conjunto de intervenções. No Trevo do Itacorubi, um novo retorno foi liberado no fim de semana. Mais adiante, avançam as obras para um segundo elevado junto ao CIC, que deverá separar os veículos que seguem para o Norte daqueles que vão em direção ao Itacorubi e ao Leste da Ilha. A Avenida da Saudade também deverá ganhar uma faixa.

É difícil ser contra esse pacote quando se conhece o endereço.

Há anos, poucos metros mal resolvidos no Itacorubi conseguem produzir quilômetros de fila. Os fluxos da SC-401, da Admar Gonzaga, da Beira-Mar Norte, da Trindade e dos bairros vizinhos desembocam numa região em que qualquer imprevisto rapidamente deixa de ser local.

A contradição está aí: para tentar parar menos amanhã, Florianópolis precisa suportar obras hoje.

Isso não significa, porém, que todo congestionamento provocado por uma intervenção deva ser aceito como preço inevitável do progresso. Obra também exige planejamento de trânsito. Quando um serviço precisa retirar duas das três faixas de uma das principais ligações da cidade por sete horas, é razoável perguntar se aquele é o melhor dia, o melhor horário e a melhor operação possível.

Nem tudo pode ser feito de madrugada. Cortar árvores de grande porte, movimentar máquinas e executar obras viárias envolve condições técnicas e de segurança que não desaparecem porque o trânsito está cheio. A crítica responsável não é exigir que toda obra ocorra enquanto a cidade dorme.

É exigir que o impacto seja tratado como parte da própria obra.

Isso significa coordenar intervenções para evitar bloqueios simultâneos, reforçar agentes nos pontos mais sensíveis, informar com antecedência quais rotas serão afetadas e oferecer alternativas antes que o motorista descubra o problema olhando para a traseira do carro da frente.

A nova restrição da SC-401 já está marcada para sábado (29/08). Desta vez, portanto, o congestionamento não precisa ser surpresa.

Florianópolis precisa dessas obras. Precisa do novo elevado, de acessos melhores e de manutenção numa rodovia que carrega boa parte da cidade todos os dias. Mas também precisa reconhecer que o tempo gasto durante a transformação é tempo de trabalho, descanso, estudo e convivência de alguém.

Construir a mobilidade do futuro tem um preço.

Planejar bem é impedir que o cidadão pague uma parte maior do que precisa.

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