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Redação

terça-feira - 1 de setembro de 2026

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01/09/2026

O DIA DEPOIS DO GRANIZO

Depois da tempestade, a cidade vira uma soma de números.

Casas atingidas. Famílias atendidas. Metros de lona. Telhas necessárias. Escolas fechadas. Chamados recebidos.

Só que, para quem acordou olhando o céu através de um buraco no telhado, a conta é bem menos abstrata.

Florianópolis começa esta segunda-feira (31/08) tentando medir os estragos deixados por um fim de semana de temporais sem poder tratar o episódio como encerrado. O alerta vermelho continua ativo e há previsão de mais chuva, vento forte e possibilidade de granizo.

O balanço mais recente aponta mais de 3,2 mil residências afetadas em Santa Catarina, cerca de 2 mil delas na capital. Cinco municípios decretaram situação de emergência. Em Palhoça, uma mulher de 39 anos morreu depois de ser atingida por um raio.

No Norte da Ilha, 27 unidades da rede municipal estão sem atendimento aos estudantes nesta segunda-feira. São 15 núcleos de educação infantil e 12 escolas básicas que precisam avaliar danos, limpar espaços e executar reparos antes de receber crianças e adolescentes novamente.

É o tipo de manhã em que a discussão sobre responsabilidade pública precisa começar pela resposta.

Há tempo para perguntar se Florianópolis estava suficientemente preparada, se a infraestrutura suportou o que deveria suportar e o que poderia ter sido prevenido. Essas perguntas não devem desaparecer quando o sol voltar.

Mas procurar um personagem para carregar sozinho a culpa enquanto ainda há família cobrindo a casa com lona pouco ajuda quem está molhando a sala.

A prioridade agora é proteger pessoas, recuperar estruturas e organizar a informação.

E organizar a informação é mais importante do que parece.

A prefeitura informa que cerca de 4 mil famílias receberam lonas no Norte da Ilha depois do temporal de sábado. Após a nova chuva de domingo, outras aproximadamente 700 foram atendidas nos pontos do Centro e Continente.

Isso não significa que existam necessariamente 4,7 mil imóveis danificados.

Uma família atendida, uma lona entregue, um chamado registrado e uma residência efetivamente atingida são medidas diferentes. Em uma emergência, essa distinção importa. Números confusos podem tanto inflar a percepção do desastre quanto diminuir um problema real.

A próxima etapa já começou. Florianópolis abriu cadastro para quem precisa de telhas e possui um estoque inicial de aproximadamente 4 mil unidades. A expectativa é iniciar a distribuição a partir de terça-feira (1º/09), quando houver condições seguras para retirada, transporte e instalação.

A situação de emergência permite acelerar respostas que uma rotina administrativa comum talvez não conseguisse dar na velocidade necessária.

Rapidez, porém, não elimina transparência.

Compras, contratações, materiais distribuídos e critérios de atendimento precisarão ser acompanhados publicamente. Emergência exige menos burocracia onde ela atrapalha. Não exige menos prestação de contas.

Mas essa cobrança pertence ao dia seguinte do dia seguinte.

Hoje ainda há balde no chão, lona no telhado, escola fechada e gente olhando a previsão antes de decidir se pode começar o reparo.

Uma cidade mostra sua capacidade diante de um desastre em três tempos.

Primeiro, protege.

Depois, presta contas.

E, quando a última telha estiver novamente no lugar, precisa ter aprendido alguma coisa antes que outra nuvem escura apareça no horizonte.

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