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quarta-feira - 6 de maio de 2026

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06/05/2026

COLETIVA APRESENTA A FESTA DA HERCÍLIO LUZ

Numa sala de cinema, diante de jornalistas, secretários e convidados, a Prefeitura de Florianópolis apresentou nesta quarta-feira (06/05) a programação dos 100 anos da Ponte Hercílio Luz. A escolha do cenário não foi detalhe. Antes de falar em shows, livros, procissões e abraços simbólicos, a gestão exibiu um filme para lembrar o que a ponte representa ao longo de um século. 

A ideia era clara: devolver à ponte Hercílio Luz o papel de personagem central da história da cidade.

Inaugurada em 13 de maio de 1926, a ponte foi a primeira ligação entre a Ilha de Santa Catarina e o continente. Idealizada por Hercílio Luz e projetada pelos engenheiros norte-americanos Robinson e Steinmann, nasceu como obra de engenharia e virou símbolo afetivo. Florianópolis cresceu ao redor dela, mudou de ritmo, viu a estrutura fechar, envelhecer, quase se tornar lembrança e depois renascer. Poucos monumentos na cidade concentram tanto da vida coletiva. A Hercílio Luz costura épocas, bairros, classes, histórias e gerações que aprenderam a olhar para Florianópolis a partir dela.

Na coletiva, o prefeito Topázio Neto (PODE) misturou esse peso simbólico com a fase atual da capital. Falou do crescimento econômico, da arrecadação de mais de R$ 3,7 bilhões em 2025, marco que colocou Florianópolis acima de Joinville pela primeira vez, e apresentou o centenário como expressão de uma cidade em efervescência cultural, esportiva e turística. A estimativa é de mais de 200 mil pessoas ao longo da programação de maio, sendo cerca de 100 mil apenas no show da britânica Joss Stone, marcado para 16 de maio, na Beira-Mar Continental. A agenda inclui ainda Dazaranha e Padre Fábio de Melo no dia 17, além de uma sequência de ações que tenta equilibrar espetáculo e memória.

E talvez esteja aí o melhor acerto da programação. O centenário não foi pensado só em torno do grande evento musical. Há uma tentativa de espalhar a ponte pela cidade e de espalhar a cidade em torno da ponte. No próximo fim de semana, a agenda já começa com a FLIP, o lançamento do livro Os 100 anos da Ponte Hercílio Luz – Renasce a dama de ferro e o simbólico Abraço à Ponte. Depois vêm carros antigos, jazz, banda, orquestra, coral, exposições, dança contemporânea, novos livros, maratona fotográfica, procissão, campeonato catarinense de remo e até um sunset de música eletrônica no fim do mês.

A ponte reaparece, assim, como palco vivo de uma cidade que quer se enxergar nela de novo.

Também chama atenção o esforço de transformar a celebração em resgate cultural. O lançamento de três livros, um deles na própria Casa Hercílio Luz, a valorização de artistas locais e o anúncio de um concurso público para desenvolver equipamentos de iluminação a partir de peças da ponte mostram que a ideia não ficou restrita ao entretenimento. Há uma tentativa de somar história, arte, arquitetura, religiosidade, música, literatura e uso do espaço público no mesmo roteiro. É uma forma de dizer que a Hercílio Luz não chega aos 100 anos apenas porque resistiu ao tempo, mas porque continuou fazendo sentido para quem mora aqui.

No fim, a coletiva apresentou um esforço de transformar aniversário em narrativa pública. Florianópolis escolheu celebrar a ponte como quem celebra a própria imagem diante do espelho. E faz sentido. Há 100 anos, a Hercílio Luz organiza o imaginário da cidade, sustenta lembranças, recebe projeções e continua atravessando a vida de quem passa por ela, por baixo dela ou à sombra dela. A programação completa do centenário está em floripa.com.

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