Hoje, este espaço nasce do elogio — não da crítica.
Na noite de segunda-feira, minha mãe, 81 anos, veio pedir ajuda porque não estava se sentindo bem. Situações assim não pedem licença. Chegam de repente, apertam o tempo e exigem racionalidade. A reação quase automática seria correr para uma emergência. Foi quando lembrei do Alô Saúde Floripa. Era a hora de ver se funcionava na prática.
Do outro lado da linha, não havia pressa.
Havia escuta.
Organização.
Cuidado.
Entre a ligação inicial, a triagem feita por uma enfermeira e a consulta por vídeo com uma médica, passaram-se não mais do que 30 minutos. Para quem já está cadastrado no Sistema Único de Saúde, como no caso da Dona Nina, o processo é ainda mais eficiente. E, em saúde, agilidade não é detalhe — é alívio.
Desliguei a chamada impactado pela qualidade do serviço.
No Brasil, o poder público costuma ser observado com lupa e desconfiança. Entre os mais questionados está o SUS, pressionado por gargalos conhecidos — filas longas, emergências sobrecarregadas, leitos escassos. Ainda assim, vale lembrar: não existe no mundo um sistema de saúde universal com abrangência semelhante ao nosso.
E, dentro do SUS, há programas, plataformas e projetos capazes de deixar qualquer nação desenvolvida de queixo caído.
O Alô Saúde Floripa é uma dessas soluções.
Criado pela Prefeitura de Florianópolis, o serviço foi o primeiro do Brasil nesse modelo público de teleatendimento. Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e atende moradores e turistas de uma cidade com quase 600 mil habitantes — número que cresce de forma significativa durante o verão.
Mais do que atender chamadas, o Alô Saúde organiza fluxos. Atua como porta de entrada inteligente do sistema. Em muitos casos, resolve ali mesmo. Em outros, orienta com precisão, evita deslocamentos desnecessários e ajuda a desafogar as unidades presenciais.
Os números dimensionam o impacto: em 2025, foram 325.363 atendimentos, alcançando mais de 120 mil pessoas diferentes. Não são apenas dados. São histórias que não viraram urgência.
Durante a alta temporada, o cuidado se amplia. Pelo segundo ano consecutivo, o serviço oferece atendimento bilíngue em inglês e espanhol para turistas estrangeiros, entre 16 de dezembro e 28 de fevereiro. Na última temporada, foram 2.117 atendimentos a visitantes, sem qualquer prejuízo ao acesso dos moradores.
O acesso é simples: telefone, aplicativo, internet ou WhatsApp. Para estrangeiros, há triagem e, quando necessário, consulta médica por vídeo no próprio idioma. Para brasileiros, o serviço funciona o ano inteiro pelo número 0800 333 3233.
Durante o atendimento, o paciente realiza um cadastro temporário no SUS, recebe orientação profissional, avaliação clínica, consulta médica e, se preciso, encaminhamento presencial. Quando há prescrição, a receita chega por e-mail e SMS. Sem papel. Sem fila. Sem ruído.
Depois de viver essa experiência, com tamanho acolhimento a uma cidadã de 81 anos, fiquei com a certeza de que o Alô Saúde é mais do que uma plataforma de atendimento médico.
Ele foi pensado para lidar com o nosso bem maior: a vida.
E, para registrar o boletim da paciente: ela foi devidamente medicada, passou bem a noite e, no dia seguinte, esteve presencialmente no centro de saúde do Abraão apenas para a realização de exames complementares — tudo dentro do fluxo, com atenção e cuidado. E passa muito bem.
A todos os profissionais da saúde no município — das atendentes aos técnicos, enfermeiros e médicos: aquele abraço.
