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Redação

terça-feira - 20 de janeiro de 2026

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20/01/2026

A morte de Orelha não pode silenciar

Conhecido e querido pelos moradores da Praia Brava, no Norte da Ilha, em Florianópolis, Orelha era um cão comunitário. Não tinha tutor formal, mas fazia parte da rotina do bairro — presença reconhecida, acolhida, integrada ao cotidiano. Um exemplo simples de convivência urbana construída pelo cuidado coletivo.

Esse equilíbrio foi quebrado.
Não pelos que o adotaram.
Mas por um ato de violência.

Por volta do dia 16 de janeiro, segundo as investigações da Polícia Civil, o cachorro foi agredido. Resgatado no dia seguinte, 17 de janeiro, o quadro clínico já era irreversível. As lesões eram graves, o sofrimento intenso. A decisão pelo sacrifício foi tomada para cessar a dor.

Um ser vivo capaz de manifestar alegria, saudade e, até mesmo, gratidão.
Mas que vivenciou dor, medo e sofrimento.

Quem convivia com ele sabia: o jeito dócil, os latidos, o rabo que abanava, a relação tranquila com adultos, crianças e outros animais diziam tudo sobre sua natureza.

O episódio mobilizou a comunidade. Houve manifestação na Praia Brava, forte repercussão nas redes sociais e cobrança pública por apuração. A resposta institucional veio com a atuação da Polícia Civil, que identificou quatro adolescentes como suspeitos. O caso segue em apuração. É essencial registrar: não há condenação sem direito à defesa. A investigação deve avançar com rigor, equilíbrio e respeito ao devido processo legal.

O inquérito policial está sendo conduzido pela delegada Mardjoli Valcareggio, da Delegacia de Proteção Animal, rigorosa e profunda conhecedora do tema, com atuação pautada pela aplicação técnica da legislação e pela seriedade na condução de crimes contra animais.

Os suspeitos são adolescentes.
E isso exige respostas proporcionais, firmes e responsáveis.

A violência contra animais não pode ser banalizada. Tampouco enfrentada apenas com punições vazias. Medidas socioeducativas precisam ser construtivas e supervisionadas, capazes de gerar responsabilização real. Alternativas como trabalho comunitário orientado, inclusive em estruturas públicas de proteção anmpimal, associadas a acompanhamento psicológico e educação humanitária, apontam caminhos possíveis.

O caso não pode ser esquecido.
Nem tratado como exceção.

A forma como uma sociedade reage à violência contra os mais frágeis
define seus limites,
revela seus valores
e expõe aquilo que decide não tolerar.

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