A maré alta voltou a travar Florianópolis no lugar onde a cidade já sabe que a água costuma aparecer. No início da noite desta quarta-feira (17/06) a SC-405 alagou na região do Rio Tavares, perto do Elevado do Trevo da Seta e em frente ao Brasil Atacadista, complicando a entrada e a saída do Sul da Ilha. Imagens da Polícia Militar Rodoviária mostraram pontos de alagamento nos dois sentidos da rodovia e um congestionamento que virou cena repetida.
Segundo a Defesa Civil, o problema teve relação com a persistência dos ventos de quadrante sul e com as condições da maré astronômica. A explicação técnica vale, mas Florianópolis é uma cidade litorânea. Conviver com maré, vento, chuva e ressaca faz parte da sua geografia. O que não deveria fazer parte da rotina é a mesma rodovia alagar, o mesmo trânsito parar e o mesmo trecho virar gargalo sempre que a natureza cumpre uma agenda.
A água tem endereço, horário e histórico. O Rio Tavares é uma área conhecida por transtornos em períodos de maré alta. A SC-405 é uma das principais ligações com o Sul da Ilha. O entorno do Brasil Atacadista e do Trevo da Seta aparece com frequência nesse mapa de dificuldade. Quando tudo isso se repete, o problema passa a ser de gestão pública.
Avisar a população para evitar áreas alagadas é correto. Orientar motoristas e pedestres a redobrar cuidados é necessário. Mas Florianópolis passou da fase em que alerta substitui solução. A cidade precisa de drenagem, manutenção, sinalização, rotas alternativas, planejamento viário, monitoramento em tempo real e obras nos pontos onde a água insiste em voltar.
O mais grave é a normalização. A capital aprendeu a tratar alagamento recorrente como parte da paisagem, quase como se fosse um custo de viver perto do mar. Não é. Maré alta é fenômeno natural.
Quando a água invade a pista mais uma vez, ela revela o nível de tolerância que Florianópolis foi obrigada a desenvolver diante de problemas que já deveriam ter saído há muito tempo da lista de sustos.
-18 de junho de 2026
