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Redação

quinta-feira - 27 de agosto de 2026

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27/08/2026

QUANDO ALGUÉM SOME

Há um momento em que o desaparecimento deixa de ser apenas uma ocorrência policial para virar a rotina de quem ficou.

O celular continua sem resposta. O carro aparece estacionado. A última conversa é refeita dezenas de vezes, à procura de uma frase que talvez tenha passado despercebida.

Desde a noite de segunda-feira (24/08), bombeiros procuram um homem de 42 anos que saiu sozinho para pescar no costão da Praia Brava e não retornou. O veículo foi encontrado próximo à praia. Equipes percorreram trilhas e usaram drone com câmera térmica entre a Ponta do Bota e a Ponta do Rapa.

O cenário oferece riscos evidentes. O mar estava agitado, ondas atingiam diretamente as pedras e há trechos de forte inclinação no costão. Tudo isso dificulta também o próprio trabalho das equipes.

Mas risco não é resposta.

Em outro ponto de Florianópolis, Vinícius Valente da Silva, de 30 anos, está desaparecido desde 6 de agosto. Ele veio de São Paulo e foi visto pela última vez deixando um hostel na Lagoa da Conceição com uma mochila. Familiares e amigos ainda tentam reconstruir seus últimos passos.

Nesse caso, não há costão que ofereça uma explicação imediata.

Os dois desaparecimentos têm circunstâncias diferentes e não devem ser misturados. É justamente aí que está a dimensão maior do problema.

Santa Catarina registrou 4.317 ocorrências de desaparecimento em 2025, uma média de quase 12 por dia e o sexto maior número absoluto do país.

O dado exige uma ressalva importante. Ele registra os desaparecimentos comunicados ao longo do ano, não significa que todas essas pessoas continuem desaparecidas. Muitas são localizadas posteriormente.

Mas essa diferença abre outra pergunta.

Quantas foram encontradas? Em quanto tempo? Quantos casos se repetem em determinados contextos? Quantos envolvem afastamento voluntário, conflitos familiares, acidentes, violência ou situações de vulnerabilidade? Quantos poderiam ter sido evitados?

Não existe uma resposta única porque não existe um único tipo de desaparecimento.

Em uma cidade cercada por mar, costões, trilhas e áreas de mata, prevenção passa por sinalização, informação sobre riscos e resposta rápida quando alguém não retorna. Em outras situações, depende da circulação eficiente das informações entre segurança pública, saúde, assistência social e outras estruturas que possam ajudar na localização.

E há a família, que não pode desaparecer junto da estatística.

Quem procura alguém precisa de orientação, informação sobre o andamento das buscas e canais que funcionem quando cada hora começa a parecer maior do que a anterior.

Buscar cada pessoa é a urgência.

Entender por que tanta gente desaparece, quanto tempo leva para ser encontrada e onde a prevenção pode agir é o trabalho que não deveria terminar quando uma busca acaba.

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