Comercial

Redação

quarta-feira - 29 de julho de 2026

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29/07/2026

ANTES DE DERRUBAR

A antiga rodoviária de Florianópolis está no centro de duas obrigações. A primeira impede a demolição até que um estudo técnico determine se o imóvel possui valor histórico, cultural ou artístico. A segunda exige que a prefeitura realize obras emergenciais para reduzir os riscos provocados pelo abandono.

Uma decisão protege a memória. A outra protege as pessoas. As duas precisam ser cumpridas.

Construído em 1959 e utilizado como terminal rodoviário até o início dos anos 1980, o complexo da Avenida Mauro Ramos atravessou décadas de comércio, disputas sobre propriedade, ocupações e falta de manutenção.

O prédio chegou ao ponto em que derrubar parece mais simples do que compreender o que pode ser preservado. Mas abandono não é laudo técnico. O fato de uma construção estar degradada não responde, por si só, se ela possui valor histórico nem se parte de sua estrutura pode ser recuperada.

Preservar não significa defender que toda construção antiga permaneça intacta para sempre. Um estudo sério pode apontar diferentes caminhos: restauração integral, preservação de elementos específicos, adaptação para um novo uso ou até a demolição de áreas sem possibilidade de recuperação.

O que não faz sentido é decidir depois de deixar o imóvel apodrecer.

Enquanto a avaliação patrimonial não encerra a discussão, o poder público continua responsável pela segurança do complexo. Isso significa escorar estruturas, reparar telhas, impedir invasões, retirar materiais perigosos e evitar que o abandono produza novos riscos para quem circula ou trabalha no entorno.

A antiga rodoviária não é apenas um prédio vazio. Durante décadas, foi a porta de entrada e saída de Florianópolis, conectando a capital a outras regiões de Santa Catarina e do país. Ao mesmo tempo, sua situação atual mostra o que acontece quando a responsabilidade por um imóvel se perde entre concessões, processos e promessas.

A cidade não precisa escolher entre conservar uma ruína indefinidamente e demolir sem conhecer o que está perdendo. Precisa de um laudo transparente, um plano de segurança e uma decisão sobre o uso futuro do espaço.

Antes de definir o destino da antiga rodoviária, Florianópolis precisa descobrir quanto do passado ainda mora ali.

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