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segunda-feira - 29 de junho de 2026

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29/06/2026

SENAI TRANSFORMA PESQUISA EM R$ 1 BI EM PROJETOS PARA A INDÚSTRIA DE SC

Com 10 institutos, 204 pesquisadores e 164,7 mil alunos em 2025, rede conecta inovação aplicada à formação de mão de obra para reduzir gargalo industrial.

A indústria catarinense costuma ser lembrada pela força exportadora, pela diversidade regional e pela capacidade de transformar empresas familiares em marcas nacionais. Mas uma parte menos visível dessa engrenagem vem ganhando escala nos bastidores: a pesquisa aplicada.

Em Santa Catarina, os Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia alcançaram a marca de R$ 1,02 bilhão em carteira de projetos desenvolvidos em parceria com a indústria desde 2014. O número resume uma mudança de patamar: a inovação deixou de ser discurso de evento para se tornar investimento concreto em soluções industriais, com impacto direto em produtividade, competitividade e novos negócios.

Para o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira, o resultado consolida a confiança da indústria catarinense na pesquisa aplicada.

“Alcançar a marca de R$ 1 bilhão em carteira de projetos é motivo de muito orgulho para todos que fazem parte dessa trajetória. Esse resultado demonstra a relevância da atuação dos Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia para a indústria catarinense e reforça a confiança das empresas no trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos anos. Estamos falando de soluções que geram competitividade, inovação e desenvolvimento para a indústria e para Santa Catarina”, afirma.

A estrutura catarinense reúne 10 institutos no total: 3 Institutos SENAI de Inovação e 7 Institutos SENAI de Tecnologia. São 204 pesquisadores atuando em áreas estratégicas para o futuro da indústria, como transformação digital, inteligência artificial, robótica avançada, manufatura avançada, economia de baixo carbono, transição energética, bioeconomia e New Space.

Desde 2014, foram 344 projetos executados para 417 empresas. A lista inclui desde pesquisas em proteína cultivada em laboratório, com foco em meios de cultura mais sustentáveis para alimentos inovadores, até o Constelação Catarina, rede de nanossatélites desenvolvida em Santa Catarina em parceria com a Agência Espacial Brasileira e outras instituições para monitoramento climático e prevenção de desastres naturais.

Outro eixo de alta complexidade está em Joinville, onde avançam estruturas como o Centro Tecnológico de Robótica, o Centro Tecnológico em Processamento a Laser e o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos. A aplicação mira operações industriais complexas e ambientes de risco, especialmente nos setores de óleo e gás e automação industrial.

O tamanho da carteira mostra que a pesquisa aplicada virou parte da estratégia competitiva de Santa Catarina. Em vez de funcionar apenas como apoio técnico, os institutos passaram a atuar como ponte entre laboratório, chão de fábrica e mercado.

É nesse ponto que a inovação ganha sentido econômico: quando reduz custo, melhora processo, cria produto, abre fronteiras tecnológicas ou ajuda uma empresa catarinense a competir com concorrentes globais.

Segundo o gerente executivo de tecnologia e inovação do SENAI, Mauricio Cappra Pauletti, a trajetória construída ao longo dos anos demonstra a evolução da capacidade técnica e da integração dos institutos com o setor produtivo.

“A trajetória construída ao longo dos anos demonstra a evolução da capacidade técnica e da integração dos Institutos SENAI/SC com o setor produtivo, atuando de forma próxima às demandas da indústria e contribuindo para a geração de soluções alinhadas aos desafios atuais e futuros do mercado”, reforça.

O resultado é fruto de uma atuação integrada entre equipes técnicas multidisciplinares, indústrias parceiras, instituições de fomento, universidades e todo o ecossistema de inovação conectado ao desenvolvimento industrial catarinense.

A estrutura dos Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia reúne especialistas, laboratórios e infraestrutura tecnológica preparados para apoiar empresas de diferentes portes e segmentos industriais, com soluções customizadas para os desafios do setor produtivo.

Essa engrenagem ganha relevância ainda maior em um estado em que a indústria tem peso decisivo na economia. A competitividade catarinense depende cada vez mais de tecnologia, automação, eficiência energética, novos materiais, inteligência de dados e capacidade de inovar em escala.

Mas nenhuma dessas frentes avança sozinha. Para a inovação sair do laboratório e chegar ao chão de fábrica, é preciso gente preparada.

É aí que entra a segunda dimensão do SENAI/SC.

A mesma rede que desenvolve soluções em inteligência artificial, robótica, biotecnologia e nanossatélites também forma trabalhadores para operar, manter e aprimorar a indústria real, aquela que depende de técnicos, operadores, programadores, soldadores, mecânicos, eletricistas, especialistas em automação e profissionais preparados para novas tecnologias.

Em 2025, o SENAI/SC fechou o ano com 164.775 alunos. O dado mostra a dimensão da rede de formação profissional em um estado que convive com um dos principais gargalos da indústria brasileira: a falta de mão de obra qualificada.

A formação técnica é hoje uma das peças centrais para sustentar o crescimento industrial. Não basta abrir vagas. É preciso formar profissionais capazes de acompanhar máquinas mais modernas, softwares mais complexos, processos automatizados, normas técnicas mais exigentes e cadeias produtivas cada vez mais conectadas.

A capilaridade da rede ajuda a explicar esse impacto. Em Santa Catarina, o SENAI atua em diferentes regiões industriais, acompanhando a vocação econômica de cada território. A formação precisa dialogar com a realidade local: o têxtil no Vale do Itajaí, a metalurgia no Norte, os alimentos no Oeste, a tecnologia na Grande Florianópolis, a cerâmica e a química no Sul.

Essa presença regional permite que a qualificação seja conectada à demanda real das empresas. Em vez de formar profissionais de maneira genérica, a rede ajusta cursos, laboratórios e programas às necessidades do setor produtivo.

O impacto aparece tanto na entrada de jovens no mercado quanto na requalificação de trabalhadores que já estão empregados, mas precisam se adaptar a novas tecnologias. Em uma indústria cada vez mais digitalizada, o profissional que não se atualiza perde espaço. A empresa que não consegue contratar gente qualificada perde produtividade.

Por isso, o papel do SENAI/SC vai além da sala de aula. A instituição funciona como uma ponte entre educação, inovação e mercado de trabalho. Forma quem vai operar as tecnologias de hoje e, ao mesmo tempo, desenvolve as soluções que podem redefinir a indústria de amanhã.

A combinação entre R$ 1 bilhão em projetos, 204 pesquisadores, 10 institutos e mais de 164 mil alunos em um único ano mostra que Santa Catarina construiu uma plataforma rara: pesquisa aplicada de um lado, formação profissional em escala do outro.

Num momento em que a indústria discute produtividade, inteligência artificial, transição energética e falta de profissionais qualificados, o modelo catarinense aponta um caminho possível.

O futuro da indústria não depende apenas de máquinas mais modernas. Depende de gente preparada para operar essas máquinas, desenvolver novas soluções e transformar conhecimento em competitividade.

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