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quarta-feira - 10 de junho de 2026

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10/06/2026

A CHUVA EXPÕE O PROBLEMA

Basta a chuva apertar um pouco para a Grande Florianópolis lembrar, do pior jeito, que pista molhada não combina com pressa e distração. Na manhã desta terça-feira (9/06), pelo menos três acidentes foram registrados na BR-101 e na Via Expressa, em São José, no sentido Ilha. Teve engavetamento, caminhão em mureta, colisão entre ônibus e carro e ainda um veículo quebrado na Ponte Pedro Ivo Campos para completar o roteiro conhecido de quem depende da região para trabalhar, estudar ou simplesmente atravessar a cidade. 

Não é novidade. BR-101, BR-282, SC-401, SC-405 e os acessos às pontes já formam, em dia normal, um sistema no limite. Quando a água cai, a fragilidade aparece com mais nitidez. O motorista mantém a mesma velocidade do asfalto seco, cola na traseira, freia tarde, troca de faixa sem distância e depois chama de azar aquilo que, muitas vezes, foi imprudência.

Há responsabilidade individual. Direção defensiva não é slogan de autoescola. Em dia de chuva, reduzir velocidade, aumentar distância, acender faróis, evitar manobras bruscas e respeitar o limite da pista são atitudes básicas. O problema é que parte do trânsito da região ainda funciona como se aliviar o pé fosse perder tempo, não ganhar segurança.

Quando dá errado, a conta aparece em fila, ambulância, guincho e atraso generalizado.

Mas seria ingenuidade jogar tudo no colo do motorista. Se toda chuva vira teste de sobrevivência urbana, o poder público também está falhando. Drenagem insuficiente, acúmulo de água em pontos conhecidos, sinalização ruim, gargalos históricos e falta de intervenções permanentes fazem parte da mesma equação. A chuva expõe aquilo que a infraestrutura já não vinha suportando.

Casos recentes reforçam esse padrão. Em Florianópolis, acidentes repetidos em pontos como o elevado Francisco Dias Velho e os acessos às pontes evidenciam fragilidades conhecidas da mobilidade urbana da região. A lógica tem sido quase sempre a mesma: remove veículo, libera pista, orienta o fluxo e espera a próxima pancada d’água. É uma resposta operacional, não estrutural. Para uma região metropolitana que já vive travada em dia seco, isso é pouco.

A responsabilidade é compartilhada. O motorista precisa dirigir como quem entende que o asfalto muda quando molha. E o poder público precisa agir como quem sabe onde a água acumula e onde os acidentes se repetem.

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