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Redação

quinta-feira - 21 de maio de 2026

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21/05/2026

O LEGADO QUE CUIDA

O caso do cão Orelha mobilizou Florianópolis, comoveu o Brasil e virou símbolo de uma discussão além dos maus tratos contra animais. Agora, o primeiro mês de funcionamento do Hospital Veterinário Municipal Cão Orelha mostra que a consequência mais importante dessa comoção está longe do barulho das redes. Está no atendimento silencioso de um animal que chega com dor e encontra cuidado.

Em abril, a unidade administrada pela Dibea realizou mais de 3,4 mil procedimentos. Foram 870 consultas clínicas, 556 castrações, 60 cirurgias gerais, 20 cirurgias ortopédicas, mais de 850 exames laboratoriais e mais de 650 exames de imagem. Os números revelam uma demanda represada. Mostram que muita gente em Florianópolis ama seus animais, mas nem sempre tem dinheiro para consulta, exame, cirurgia, emergência ou atendimento veterinário privado.

O hospital atende moradores inscritos no CadÚnico, protetores cadastrados, responsáveis por animais comunitários registrados e adotantes do canil e gatil municipal. Ou seja, chega justamente onde a ausência de assistência costuma virar abandono, sofrimento ou improviso. Também funciona 24 horas para urgência e emergência, com triagem técnica nos casos de risco de morte. Para uma cidade que convive com animais comunitários, protetores sobrecarregados e famílias que dividem o pouco que têm com seus bichos, isso não é luxo. É política pública.

O nome Cão Orelha carrega uma memória sensível, mas precisa apontar para frente. Que sirva menos para alimentar comoção passageira e mais para lembrar que cuidado animal exige estrutura, acesso e continuidade. A melhor forma de honrar essa história é fazer com que outros animais não dependam de tragédia para serem vistos.

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