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quarta-feira - 25 de março de 2026

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25/03/2026

Águas de março e a rotina que insiste em não mudar

Com a Defesa Civil novamente em alerta para temporais, Florianópolis e a região metropolitana revisitam um roteiro conhecido. Basta chover mais forte para o cenário de cartão-postal sair de cena e dar lugar à realidade: ruas travadas, água invadindo casas, prejuízos e moradores que já conhecem, de memória, o caminho que ela percorre.

Em janeiro de 2025, a Grande Florianópolis registrou mais de 300 mm de chuva em 24 horas, com picos acima de 350 mm em pontos da Ilha. Em dezembro, novos episódios concentraram cerca de 90 mm em poucas horas na Capital, enquanto cidades vizinhas, como Palhoça, chegaram a volumes ainda maiores. Não são exceções. São repetições.

O mapa é velho conhecido: Mauro Ramos, Beira-Mar Norte, Itacorubi, entorno da UFSC, Estreito, Capoeiras. Nas áreas de risco, o alerta segue permanente no Maciço do Morro da Cruz, Saco dos Limões e Pantanal. No Norte, o Rio Vermelho convive historicamente com o problema. No Sul da Ilha, a combinação de poucos acessos e resposta lenta transforma cada chuva mais intensa em teste de resistência.

E seria confortável dizer que há regiões mais atingidas. Mas a verdade é outra: quando a chuva aperta de verdade, não há bairro imune — seja na Ilha ou no continente. A água não escolhe CEP. O que muda é a forma como cada área reage — e o quanto está preparada.

Foram entre 130 e 150 dias de chuva ao longo de 2025, em linha com 2024, que já havia sido marcado por eventos extremos. Mais do que o volume total, o que chama atenção é a concentração em curtos períodos — e, com ela, o aumento dos impactos.

No primeiro trimestre de 2026, os volumes ainda não repetiram os picos extremos do início do ano anterior. Mas o dado mais incômodo é outro: segue alagando com menos chuva. O que antes era exceção virou frequência. E o que era frequência já não encontra resposta.

Ainda assim, o problema persiste: segue-se esperando drenagem mais célere e ampla, além de segurança e previsibilidade diante da chuva. Raramente se perde tudo, mas os transtornos se repetem — e já viraram rotina. No quesito prevenção contra fenômenos climáticos, o ritmo é conhecido: varia entre o devagar e o quase parando.

A chuva é previsível. As respostas, nem tanto. 

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