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Redação

quarta-feira - 11 de março de 2026

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11/03/2026

Quando o abandono se disfarça de cuidado: o alerta dos maus-tratos em SC

Depois do Caso Orelha colocar os holofotes sobre a crueldade contra animais, a polícia voltou a encontrar uma situação limite em Florianópolis. Desta vez no Campeche, onde sete cães e cinco gatos foram resgatados de uma casa que funcionaria como canil clandestino. No mesmo local, outros cinco cães já estavam mortos.

O episódio é chocante, mas está longe de ser isolado. Casos recentes voltam a acender um alerta que ultrapassa os limites da capital e chama atenção para um fenômeno que também aparece em outras regiões de Santa Catarina.

Dados da segurança pública mostram que o estado registrou 5.463 ocorrências de maus-tratos a animais em todo o ano de 2024. E o dado mais inquietante vem na sequência: apenas nos primeiros sete meses de 2025 já foram 5.501 registros, número que já superava todo o total do ano anterior antes mesmo de agosto.

A curva ajuda a dimensionar o problema. Em cerca de uma década, os registros cresceram mais de 200%, saltando de aproximadamente 1,3 mil casos anuais para mais de quatro mil. Em cerca de oito de cada dez ocorrências as vítimas são cães.

Isso ajuda a entender que o tema não é apenas policial. É também social.
Por trás dessa repetição existe um circuito conhecido — gente que não sabe cuidar, mas coleciona bicho, cria, vende, abandona, esconde, terceiriza culpa e chama de “amor” o que muitas vezes é abandono com maquiagem.

Há ainda um detalhe que muda o peso dessa história. Cresce a sensação de que a reação do Estado se torna mais dura quando a pressão pública aumenta e o caso ganha repercussão.
Seria leviano, para dizer o mínimo, afirmar que o aumento dos casos de maus-tratos seja reflexo da sociedade catarinense. Seria um erro tão raso quanto barulhento. Se os números hoje aparecem compilados, é porque há, sim, preocupação real com a causa — por parte das autoridades, ainda que não de todas, e também dos defensores dos animais, que há anos empurram esse debate para fora da zona de conforto. O que se impõe agora é jogar luz sobre a questão com análise séria, investigação, responsabilidade e menos tribunal de rede social.

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