Comercial

Redação

quarta-feira - 4 de março de 2026

Comercial

Redação

04/03/2026

O tempo, o Jornalismo e o blazer nosso de cada dia

Queridas conectadas e queridos conectados,
hoje peço licença para falar sobre um tema que tem me causado certo desconforto nos últimos dias: a velocidade do tempo.
Na minha cabeça, ainda ontem estávamos desejando Feliz Natal e Boas Festas. Pisquei. Pronto. O editor da vida fez um corte seco — daqueles sem nem pedir segunda tomada.
Quando me dei conta, o primeiro trimestre já estava praticamente pedindo fechamento.
Mas como nem tudo é pau, pedra ou o fim do caminho neste mês das águas que encerram o verão, março também traz seus encantamentos.
Quero me ater especificamente à segunda-feira, 2 de março. Noite de reencontrar colegas, amigos e celebrar o jornalismo catarinense na cerimônia do 5º Prêmio ACI OCESC de Jornalismo.
O auditório Antonieta de Barros estava quase lotado.
Na condição de finalista de uma das sete categorias — e conhecedor da minha relação complicada com este senhor chamado tempo — fiz algo raríssimo: cheguei antes do horário.
Sim, isso merece registro histórico.
Logo na entrada da Alesc, o protocolo de segurança determina que todos passem pela recepção após o raio-X. Justíssimo. Afinal, a Casa é do Povo — não da mãe Joana.
Aguardo tranquilamente na fila quando o sujeito à minha frente vira-se e diz:
— Martini! Quanto tempo! E daí, beleza?
— Opa, tudo bem — respondo cordialmente, naquele tom neutro que jornalistas dominam bem quando ainda não entenderam o contexto da conversa.
— Estás fazendo o que por aqui?
Antes que eu responda, vem a segunda:
— Tu ainda está nessa de Jornalismo?
E logo a terceira:
— A última vez que ouvi falar de ti, você estava numa assessoria de imprensa de um órgão público.
Pausa dramática.
Olhar para o teto.
E então ele crava:
— Ah, lembrei. Tribunal de Justiça, né?
Respirei fundo.
“Pai, perdoai-o, porque ele claramente não checa nem o Google”, pensei.
Ok, admito: talvez o pensamento real tenha sido um pouco menos bíblico.
O fato é que, em três perguntas, o sujeito que não me via há pelo menos dez anos conseguiu errar absolutamente todas as informações sobre mim.
Um feito estatístico notável.
Para registro:
Sim, eu sigo no jornalismo e pretendo continuar.
Sim, eu estava ali como finalista — informação pública, diga-se.
E não, não trabalhei no Tribunal de Justiça. Foi no Tribunal de Contas.
Se fosse futebol, meu amigo já poderia pedir música no Fantástico.
Confesso que naquele momento lembrei de duas coisas importantes.
A primeira: dentro de alguns minutos começaria uma premiação.
A segunda: eu estava com meus florais no bolso.
E devo dizer: florais funcionam melhor do que muitas reuniões de terapia corporativa.
Hoje já não sinto tanta necessidade de validação externa. É uma liberdade que chega com o tempo — e talvez com alguns cabelos brancos.
O problema é que esse fenômeno do telefone sem fio virou uma das pragas da comunicação hiperconectada.
Bastaria uma checagem simples.
Abrir a lista dos finalistas.
Eram apenas 21 nomes.
Mas eis que surge um anjo da guarda da organização e informa que os participantes da premiação poderiam subir direto para o auditório.
Confesso que aceitei a informação com entusiasmo quase olímpico.
Sem me despedir, subi as escadas.
Talvez no próximo reencontro — daqui a uns dez ou quinze anos — eu apresente ao meu ex-colega uma pequena palestra sobre checagem básica de informação.
Algo bem curto. Uns 40 minutos.
A noite, que começou meio atravessada, terminou da melhor forma possível.
Primeiro lugar na categoria Reportagem Especial – Cooperativismo, com a reportagem produzida para a Exame Sul, em parceria com o fotógrafo Leandro Fonseca.
Agora, faço uma confissão importante.
Antes da cerimônia tomei uma decisão estratégica: não usar mais o blazer azul.
Sim, o mesmo que aparece na foto do topo do site.
O mesmo que está nas fotos dos eventos da Exame.
E em praticamente todas as imagens que registrei em 2026.
Eu prefiro acreditar que ele dá sorte.
Mas também não custa variar o figurino.
Vai que a próxima premiação resolve implicar com o guarda-roupa.
E, fora esse pequeno inconveniente na fila da recepção, a cerimônia foi linda — uma verdadeira noite de gala para o jornalismo catarinense.

Você também pode gostar:

Edit Template

© 2025 Rafael Martini | Jornalismo Independente