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terça-feira - 20 de janeiro de 2026

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20/01/2026

Mar e Céu: A Ciência por Trás das Ressacas em SC

A força do mar voltou a castigar o Litoral de Santa Catarina neste início de ano, com ressacas significativas atingindo municípios como Balneário Barra do Sul, no Litoral Norte, e a capital, Florianópolis (foto). Em Barra do Sul, na madrugada de domingo (4), o avanço das águas interditou a principal via de acesso à praia na Boca da Barra e invadiu aproximadamente 70 residências, agravando a sequência de problemas que já havia levado o município a decretar estado de emergência em meses anteriores. A Defesa Civil local trabalha intensamente desde o final de dezembro, lidando com os estragos de fortes chuvas que causaram vários transtornos na cidade.

Na região da Grande Florianópolis, a situação se repetiu na manhã de ontem (5), com o mar invadindo vias importantes. A SC-401 e a SC-405 registraram trechos alagados, complicando o trânsito, e um carro chegou a ser tomado pela água na Praia do Sonho, em Palhoça. A Defesa Civil emitiu alerta laranja para maré alta, prevendo ondas de até três metros, cenário de risco e transtorno para a população.

Cientificamente, esses eventos extremos são explicados pela combinação de dois fenômenos oceânicos: a maré astronômica e a maré meteorológica. A maré astronômica é a variação regular do nível do mar, influenciada pela atração gravitacional da Lua e do Sol. No período relatado, a fase de Lua Cheia potencializou a atração, resultando em marés mais altas do que o habitual, conhecidas como marés de sizígia.

Por cima desse pico natural, atuou a maré meteorológica, também chamada de storm surge ou sobre-elevação do mar, que é causada por fatores atmosféricos, principalmente ventos fortes e persistentes de certas direções (como o vento sul/sudeste comum no verão catarinense) e pela baixa pressão atmosférica. Esses ventos “empilham” a água do oceano contra a costa, enquanto a baixa pressão permite que a superfície do mar se eleve ainda mais. A soma dessas duas marés – a astronômica, já alta, e a meteorológica, induzida pelo tempo – gera a ressaca intensa e invasiva.

Portanto, os estragos registrados em Balneário Barra do Sul e Florianópolis são resultado dessa convergência perigosa entre um ciclo celeste previsível e condições meteorológicas adversas. Eventos como esse tendem a se tornar mais frequentes e intensos em contexto de mudanças climáticas, onde a elevação do nível do mar basal e a potencial alteração na frequência de tempestades exigem atenção redobrada no planejamento das cidades costeiras.

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