A sanção da lei que proíbe fogos de artifício com estampido em Florianópolis representou um avanço importante no cuidado com a saúde, o bem-estar animal e a inclusão social. A medida sinaliza sensibilidade do poder público a um debate que vem ganhando força no Brasil e no mundo. Agora, o município tem diante de si a oportunidade de dar o próximo passo e transformar essa diretriz em uma marca definitiva do seu maior evento popular.
A manutenção do espetáculo oficial de fogos de “baixo ruído” no Réveillon mostra que a cidade ainda vive um momento de transição. Mas esse cenário pode ser lido menos como uma contradição e mais como um ponto de partida. Ao reconhecer os impactos negativos do barulho, mesmo que de forma gradual, Florianópolis abre espaço para evoluir rumo a um modelo de celebração totalmente silencioso, moderno e alinhado às melhores práticas internacionais.
Em diversas cidades da Europa e da América do Norte, a virada do ano já deixou de ser sinônimo de estampidos. Itália, Reino Unido e Canadá apostam em espetáculos de luzes, projeções mapeadas, shows de drones e experiências visuais imersivas, que encantam o público sem provocar estresse em animais, idosos, crianças ou pessoas com sensibilidade auditiva. Além de inclusivas, essas soluções são tecnologicamente sofisticadas e reforçam a imagem de cidades inovadoras.
Florianópolis, com sua vocação criativa, turística e sustentável, reúne todas as condições para liderar esse movimento no Brasil. Um Réveillon baseado exclusivamente em luzes e efeitos visuais poderia se tornar um diferencial competitivo, fortalecendo a imagem da cidade como referência em eventos responsáveis, acolhedores e contemporâneos.
A lei já aponta o caminho. Cabe agora à gestão municipal transformar esse espírito em prática plena, fazendo do maior Réveillon do Sul do país um exemplo de celebração sem ruído, sem exclusão e sem impactos negativos. Mais do que abandonar um hábito, trata-se de criar uma nova tradição — capaz de unir a cidade em alegria, inovação e respeito.
O silêncio, nesse caso, não diminui a festa. Ao contrário: pode ser exatamente o que falta para Florianópolis fazer história.
-15 de janeiro de 2026
