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Redação

sábado - 30 de agosto de 2025

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30/08/2025

Bebês, passaporte e guerra

“Transitar pelas ruas de Florianópolis como motorista de aplicativo é um convite a uma imersão numa Torre de Babel. Os passageiros gringos aumentam a cada dia e das mais diversas nacionalidades: suecos, russos, ucranianos, americanos, franceses, alemães e por aí vai. A maioria não fala português, mas arrisca. Mas todos ficam extremamente felizes ao ouvir um singelo “Where are you from?” para dar início a uma conversa em inglês, of course. De tanto transportar mulheres russas pela cidade – elas estão no Norte e no Sul da Ilha -, decidi verificar a razão desta silenciosa invasão em terras açorianas.

Uma delas, de nome Irina, revelou: escolheu Florianópolis para o parto de sua filha. Ela já havia morado no Uruguai, mas descobriu Florianópolis após visitar Foz de Iguaçu e encontrar uma compatriota que usou o argumento da segurança para convencê-la a se mudar para a Capital catarinense. Além disso, o Uruguai, segundo ela, era muito caro. Outra, de nome Jana, foi além: veio para fazer o parto natural. O que me parecia ser mais uma lenda de Florianópolis começou a se tornar algo real.

Depois descobri também que, além do custo menos dispendioso para ter filho – graças ao SUS – elas também buscam a nacionalidade brasileira para, posteriormente, poder circular sem restrições pelos aeroportos da Europa, onde muitas fronteiras estão restritas ao russos por conta da guerra com a Ucrânia. Mas e essa guerra hein? Bom, fico com a resposta em português com forte sotaque do Oleg, um ucraniano casado com uma russa e morador do bairro Novo Campeche desde 2020: “É tudo culpa do dineiro. Só dineiro”.

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