Carlos Leite é presidente do Sinduscon Grande Florianópolis e conselheiro de Administração da Companhia Habitasul de Participações. É líder de negócios na construção civil, inovação e desenvolvimento urbano, com mais de 40 anos de atuação no setor. Sob sua liderança, o foco é o incentivo ao uso de tecnologias no setor e na ampliação da atuação nos municípios da base da entidade.
1 – Reforma tributária e agora o tarifaço do governo Trump. Diante de tantas incertezas, como está o mercado da construção civil na região?
A reforma tributária é um ponto muito grande de atenção não só para o setor da construção civil. Vamos precisar mudar radicalmente a nossa análise de desempenho e tributação dos nossos negócios. Porém, não sinto que esta preocupação esteja absorvida integralmente pelo setor. Quanto ao tarifaço, o setor está acompanhando os desdobramentos com bastante preocupação. Acreditamos numa saída negociada. Num cenário de confronto, os prejuízos seriam imensos não apenas para o ecossistema da construção civil, mas para toda a sociedade. Há riscos de atrasos em obras, inclusive obras públicas, orçamento instável, falta de previsibilidade, importações mais caras, são muitos desdobramentos que impactam diretamente a indústria da construção civil nos dois casos – reforma tributária e tarifaço do governo americano.
2 – O Sinduscon tem sido uma espécie de indutor para fomentar debates estruturantes que impactam diretamente no desenvolvimento de Florianópolis. Como a entidade trabalha para destravar a questão do saneamento básico, em especial no Sul da Ilha?
Temos procurado chamar a atenção para um entendimento entre os diversos atores. De um lado, a Casan alega que possui recurso, mas não consegue utilizá-los devido a questões de licenciamento. De outro, existem atores que querem transformar a cobrança por mais eficácia da Casan em uma luta pela defesa da não privatização da mesma. E temos o Município, poder concedente que precisa ter mais protagonismo nesta busca de entendimento. Não se justifica que uma estação de tratamento esteja parada há 18 anos. O poder público precisa tomar a frente desse debate.
3 – Em recente decisão da Conferência da Cidade, a mobilidade urbana ficou de fora das 12 prioridades elencadas para Florianópolis. Como o senhor avalia esta questão?
Infelizmente, dentro do espaço democrático da Conferência a nossa preocupação com mobilidade foi deixada de lado. Essa importante discussão ainda é muito politizada e até equivocada, o que é ruim para a população da cidade e atrapalha o desenvolvimento sustentável de Florianópolis.
4 – A questão da moradia para a população de baixa renda, a chamada habitação social, é um desafio para Florianópolis por conta das limitações territoriais. O que fazer para reduzir este déficit?
O atual Plano Diretor possui os instrumentos que vão possibilitar esta redução. Porém, muitos deles ainda precisam ser regulamentados. E, sem dúvida nenhuma, os Projetos Especiais de Urbanização (PEUs), que são projetos que obrigatoriamente vão precisar entregar habitações de interesse social para a cidade, serão alavancadores da solução deste problema.
5 – O apagão de mão de obra é uma realidade para todo o setor produtivo catarinense. Como o Sinduscon vem orientando seus associados e que ações têm feito para mitigar esta carência?
Estamos firmando parcerias com Sesi/Senai e, primeiramente, com a prefeitura de Florianópolis para depois estendermos esta ação para os 22 municípios da nossa base territorial. Mas, por mais esforços que venhamos a fazer, a industrialização do processo construtivo será o caminho do futuro. A indústria da construção civil precisa deixar de ser uma empilhadora de tijolos.
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